CPI da Equatorial: Industriais e comerciários apontam avanços e dificuldades

por Iury Aragão publicado 17/05/2023 13h10, última modificação 17/05/2023 13h09
Comissão ouviu vice-presidente da Fiepi e presidente do Sindilojas

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) que investiga o maus serviços prestados pela Equatorial Piauí ouviu, nesta quarta-feira (17), o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi), Francisco Reinaldo, e o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindilojas), Tertuliano Passos. 


O representante dos industriais piauienses fez um resumo sobre breve consulta feita com empresários do setor. “Logo que recebemos a convocação para participar dessa CPI, fizemos uma consulta informal a alguns industriais que têm, relativamente, uma carga grande, pelo tempo curto, que não teve como fazer uma consulta mais substanciada. Mas, o que nós ouvimos, da grande maioria de quem nós consultamos, até mesmo por telefone, é que o atendimento das suas empresas tem sido a contento”, sintetizou Francisco Reinaldo.


Para o vice-presidente, a prestação do serviço não é totalmente satisfatória, mas houve evoluções significativas após a venda da Eletrobrás Piauí. O diálogo com a concessionária é aberto e os industriais compreendem que muitos dos investimentos necessários exigem tempo e vêem as promessas feitas serem cumpridas.


A perspectiva de que há muito a evoluir, mas que houve uma melhora na distribuição de energia no estado também foi colocada por Tertuliano Passos, o representante do Sindilojas. A principal crítica apresentada na fala inicial do presidente do Sindilojas foi na demora da Equatorial Piauí para fazer religações depois de os empresários fazerem consertos, como o de substituição de cabos roubados, por exemplo.



Industriais, lojistas e entes fazem investimentos que poderiam ser feitos pela Equatorial


No entanto, após as perguntas feitas pelos deputados membros da CPI da Equatorial, os representantes das indústrias e dos lojistas concordaram que existe um problema muito grande na demora da concessionária para fazer determinados investimentos e serviços. 


A deputada Gracinha Mão Santa (Progressistas) informou que muitos dos avanços que a empresa alega ter contribuído, foram, na verdade, feitos por entes públicos ou particulares. Nerinho (PT) citou o caso das melhorias no Pólo Industrial Sul, que foram feitas com investimento do Governo do Estado e a Equatorial fez apenas o serviço de instalação dos cabos.


O deputado Aldo Gil (Progressistas) foi consensual com os parlamentares: “Tem muito problema que a Equatorial enfrentou que foi resolvido não pela Equatorial. Mas eu conheço vários, inúmeros empresários, que tiveram um problema com a Equatorial, não quiseram aguardar ela resolver e resolveram do próprio bolso”. 


“Via de regra, as empresas também arcam com algum investimento. Quando a gente entra com o processo de melhoria ou de uma ligação, é fato que ocorre muito isso. Eles [dizem], olha a gente atende até aqui, mas esse pedaço aqui você tem que entrar com o investimento. Então, as indústrias têm arcado com algumas despesas”, disse Francisco Reinaldo, concordando com os deputados, mas colocando que não tem certeza sobre as legislações relacionadas a esse tema.


Tertuliano Passos acrescentou problemas semelhantes vivenciados pelos lojistas. “Cada lojista que tem um grande consumo, que ele vai ter um consumo grande, esse investimento é feito pelo próprio lojista, exatamente para não ter tanto tempo de espera que a Equatorial possa vir a fazer. Se é legal, se é regular, também, a gente não tem essa informação se, de fato, teríamos de fazer. Certo é que cada lojista termina fazendo”, afirmou o presidente do Sindilojas.


O deputado Gessivaldo Isaías (Republicanos) tentou resumir em uma frase a dificuldade: “Seria conclusão nossa, ela mata no cansaço”. 



Novos passos da CPI da Equatorial

 

Durante os questionamentos, os parlamentares solicitaram que os depoentes encaminhassem para a CPI, em 30 dias, um relatório mais apurado sobre a situação de suas categorias. Isso porque, principalmente no caso da Fiepi, os deputados acreditam que há muitas reclamações a serem feitas pelo setor. “Quando eu, recentemente, como secretária do Agronegócio, ouvi muitas reclamações com relação à questão da qualidade de energia. Muitas e muitas empresas, muitas e muitas indústrias, deixam de se instalar no estado do Piauí por conta dessa qualidade da energia”, relatou Simone Pereira (MDB).


Além disso, o deputado Nerinho sugeriu que a CPI também escute a Associação Industrial do Piauí. O presidente da comissão, Evaldo Gomes (Solidariedade), afirmou que o presidente da entidade já está no calendário de depoimentos a serem feitos. Outra sugestão para as oitivas foi feita por Gracinha Mão Santa. Ela disse que a Associação dos Eletrotécnicos se prontificou a contribuir com a CPI.


A agenda da comissão continua na próxima segunda-feira (22), às 10 horas, com mais dois depoimentos. Eles estavam previstos para serem feitos nessa quinta-feira (18), mas, por causa da agenda da Alepi e dos convidados, precisou ser adiada.



Nícolas Barbosa - Edição: Iury Parente