Palavra Aberta debate Carnaval de Teresina: memória urbana, identidade coletiva e uma festa que atravessa o tempo

por Antônio Luiz Moreira Bezerra publicado 09/02/2026 16h38, última modificação 09/02/2026 16h38
O programa conta com a participação do historiador Bernardo Sá

Mais do que uma celebração popular, o Carnaval é um fenômeno histórico, cultural e social que atravessa séculos e civilizações. Essa foi a tônica do debate apresentado no programa Palavra Aberta, exibido nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, pela TV Assembleia. Sob a condução do jornalista Thiago Moraes, o historiador Bernardo Sá lançou luz sobre o Carnaval de Teresina, analisando a festa como expressão viva da memória urbana e da identidade coletiva da capital piauiense.

 

Segundo o historiador, o Carnaval não pode ser compreendido a partir de uma única origem ou de um momento específico da história. Trata-se de uma manifestação plural, construída ao longo do tempo por diferentes povos e culturas. Seus primeiros registros remontam à Antiguidade, em sociedades politeístas como as da Grécia e do Egito, onde rituais religiosos e festivos eram realizados para celebrar ciclos da natureza, colheitas e divindades ligadas à fertilidade e à renovação da vida.

 

Essa multiplicidade de influências explica por que o Carnaval é, até hoje, uma festa tão diversa. “Mesmo quem não gosta do Carnaval acaba sendo atravessado por esse espírito carnavalesco”, observa Bernardo Sá. Para ele, o período carrega uma energia própria, marcada pela suspensão temporária da rotina, pela ocupação dos espaços públicos e pela liberdade criativa que se manifesta na música, na dança e nas fantasias.

 

No Brasil, o Carnaval ganhou contornos singulares a partir do encontro entre tradições europeias, africanas e indígenas. Ao longo do século XX, a festa se consolidou como uma das maiores expressões culturais do país, assumindo diferentes formatos de acordo com cada região. Em Teresina, essa trajetória também foi marcada por transformações e adaptações que refletem a história social da cidade.

 

Na capital piauiense, os primeiros registros do Carnaval organizado passam pelos bailes de salão, que reuniam a elite local, e pelos concursos de blocos de rua, que mobilizavam bairros inteiros. Com o tempo, surgiram as escolas de samba, responsáveis por dar novo fôlego e identidade à festa. A primeira delas, a Nova Escola de Samba, foi fundada em 1949. Dois anos depois, nasceu a Escravo do Samba, que mais tarde se dividiu, dando origem ao Império do Samba.

 

Confira o programa na íntegra


 

Da Redação Site TV Assembleia