Palavra Aberta/Ajuspi: Brasil registra recorde histórico de feminicídios e o Piauí se destaca nesse tipo de crime

por Antônio Luiz Moreira Bezerra publicado 03/03/2026 15h44, última modificação 03/03/2026 15h44
Para falar sobre números, ações e prevenção, o programa entrevistou a advogada Michele Amorim

O programa Palavra Aberta, da TV Assembleia, em parceria com a Associação Jurídica e Social do Piauí (Ajuspi), trouxe nesta terça-feira (3) um dos temas mais urgentes do país: o feminicídio. Em 2025, o Brasil registrou 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero — uma média alarmante de quatro mortes por dia. Na entrevista conduzida pelo jornalista Thiago Moraes, a advogada e professora Michele Amorim, especialista em Direito Constitucional e Ciências Criminais, analisou os números e destacou os desafios enfrentados tanto no cenário nacional quanto no Piauí, que aparece entre os estados com índices preocupantes.

 

Desde que o feminicídio passou a ser tipificado no Código Penal, há dez anos, o crescimento registrado é de 316%. Ao longo dessa década, mais de 13 mil mulheres foram vítimas desse tipo de crime no país. Os dados revelam não apenas a dimensão da violência de gênero, mas também a persistência de estruturas sociais que naturalizam agressões contra mulheres. No Piauí, embora haja avanços institucionais e políticas públicas voltadas à proteção, os índices ainda acendem um sinal de alerta para a necessidade de ações mais efetivas.

 

Um dos pontos centrais do debate foi a dúvida recorrente: o aumento nos números significa que a violência cresceu ou que os casos estão sendo melhor identificados? Segundo Michele Amorim, há, de fato, uma melhora na classificação dos crimes. Hoje é possível diferenciar o homicídio comum do feminicídio, reconhecendo oficialmente a motivação de gênero. Essa distinção representa um avanço jurídico importante, pois dá visibilidade à violência específica contra mulheres. No entanto, a especialista ressalta que o crescimento não se explica apenas por uma mudança na nomenclatura — os casos também estão aumentando.

 

Veja a entrevista na íntegra 

 

 

Da Redação Site TV Alepi