Palavra Aberta aborda o desafio do reconhecimento pleno dos direitos das mulheres

por Antônio Luiz Moreira Bezerra publicado 02/03/2026 16h08, última modificação 02/03/2026 16h08
A professora e pesquisadora Letícia Sousa participou de entrevista e falou sobre esses desafios

O programa Palavra Aberta, exibido pela TV da Assembleia Legislativa do Piauí nesta segunda-feira, 2, colocou em pauta um debate urgente e estruturante para a sociedade brasileira: o reconhecimento pleno das mulheres como sujeitos de direitos. Na entrevista conduzida pelo jornalista Thiago Moraes, a mestranda em Antropologia Letícia Sousa, pesquisadora da Universidade Federal do Piauí, refletiu sobre os desafios históricos e contemporâneos que ainda impedem a consolidação da cidadania feminina em sua totalidade. O tema ganha ainda mais relevância diante de recentes declarações públicas que reacenderam a discussão nacional.

 

A fala da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, serviu como ponto de partida para a análise. Ao afirmar que, no Brasil, mulheres ainda são tratadas mais como símbolos de superação do que como sujeitos plenos de direitos, a ministra evidenciou uma contradição profunda: apesar dos avanços legislativos, persiste uma cultura que naturaliza desigualdades. Para Letícia Sousa, essa observação revela como, historicamente, instituições sociais construíram a imagem feminina sob a lógica da subjugação, atribuindo às mulheres papéis marcados pela fragilidade e pela violência simbólica e material.

 

Mesmo com leis mais rigorosas e maior visibilidade para o enfrentamento da violência de gênero, ainda existe uma lacuna estrutural relacionada ao papel social atribuído às mulheres. A entrevistada destacou que não basta ampliar penalidades ou criar novos dispositivos legais se a sociedade não revisa as bases culturais que sustentam a desigualdade. A questão central está na forma como homens e mulheres são socialmente moldados: enquanto o masculino frequentemente é associado à agressividade e ao poder, o feminino ainda é vinculado à vulnerabilidade, o que contribui para a manutenção de relações desiguais.

 

Confira a entrevista na íntegra




Da Redação Site TV Alepi