Francisco Ferry: A Síntese entre Tradição e Modernidade na Literatura Piauiense

por Antônio Luiz Moreira Bezerra publicado 17/04/2026 16h59, última modificação 17/04/2026 16h59
No programa Palavra Aberta, jornalista Thiago Moraes e o acadêmico Carlos Evandro Eulálio resgatam a obra de um menestrel ainda pouco conhecido

Na edição do programa Palavra Aberta desta sexta-feira, 17 de abril, fruto da parceria entre a TV Alepi e a Academia Piauiense de Letras (APL), o jornalista Thiago Moraes conduziu uma conversa reveladora com Carlos Evandro Eulálio, professor, crítico literário e membro da APL. O encontro teve como foco a vida e a obra do poeta, jornalista e teatrólogo Francisco Ferry – um dos nomes mais multifacetados e ainda pouco difundidos da literatura brasileira. Patrono da cadeira de número 38 da Academia Piauiense de Letras, Ferry construiu uma produção marcada pela mistura entre tradição e modernidade, transitando entre romantismo, parnasianismo, simbolismo e as formas populares da poesia matuta, sempre com forte musicalidade e identidade regional.

 

Durante a entrevista, Carlos Evandro Eulálio destacou aspectos curiosos da trajetória do menestrel popular. Segundo o entrevistado, Ferry praticamente não teve infância: nasceu em 1895, em Valença, e veio para Teresina aos 12 anos, onde trabalhou no comércio e desenvolveu sozinho habilidades na área. Aos 14 anos, já publicava poesias em parceria com outro poeta da capital. Aos 19 anos, lançou Princípios, mas foi em 1922, no Rio de Janeiro, que alcançou reconhecimento nacional com Em Busca da Luz, livro prefaciado por Abdias Neves e bem recebido pela crítica da época. Eulálio ressaltou ainda que Ferry não apenas declamava, mas cantava suas poesias, interpretando-as como um verdadeiro menestrel, além de ler avidamente os autores brasileiros de seu tempo.

 

Ao abordar a relação entre oralidade e modernidade literária, Carlos Evandro Eulálio enfatizou que Ferry representa um elo singular entre a erudição e a cultura popular. O professor lembrou que o escritor, falecido em 1962, não era apenas compositor, mas também intérprete de seus versos, unindo a musicalidade da palavra à força da tradição nordestina. 

 

Confira o programa na íntegra


 

Da Redação Site TV Alepi