Bom Dia Alepi aborda democracia em construção: o avanço e os desafios da participação feminina na política
As mulheres são maioria no Brasil: representam mais de 51% da população e mais de 52% do eleitorado. Ainda assim, a presença feminina nos espaços de poder segue aquém dessa proporção. Esse foi o tema do programa Bom Dia Alepi desta segunda-feira (2), apresentado por Juliana Arêa Leão, com participação do repórter Daniel Silva, que entrevistam a cientista política Joana Neta. A edição integra a programação especial da TV Alepi em alusão à Semana da Mulher e traz uma reflexão profunda sobre democracia, representatividade e justiça social.
Durante a conversa, Joana Neta destacou que a participação feminina na política é um processo histórico ainda em construção. Ela lembrou que, em mais de 500 anos de formação do país, as mulheres só conquistaram o direito ao voto há pouco mais de um século. Para a especialista, discutir presença feminina não é tratar de uma pauta identitária, mas de legitimidade democrática. Quando a maioria da população não está plenamente representada nas instâncias de decisão, há, segundo a ciência política, um déficit democrático que compromete a própria essência do regime.
Outro ponto abordado foi a política de cotas eleitorais. Joana ressaltou a importância da fiscalização por parte do Ministério Público Eleitoral para evitar candidaturas fictícias criadas apenas para cumprir formalmente a legislação. A Constituição garante igualdade formal e material, mas, como reforçou a cientista política, não basta preencher números: é necessário assegurar participação efetiva. A ampliação da presença feminina nos cargos eletivos evoluiu nos últimos anos, porém exige vigilância constante da sociedade e das instituições responsáveis pela defesa da democracia.
Ao falar sobre a importância da voz feminina, Joana Neta enfatizou que o direito ao voto não foi uma concessão, mas uma conquista histórica. A ocupação de espaços de poder permite que mulheres se reconheçam como sujeitas de direito e participem da formulação de políticas públicas voltadas a áreas como saúde e enfrentamento à violência, a exemplo da Lei Maria da Penha. Para ela, quando mulheres participam das decisões, não se trata de privilégio, mas de construir igualdade real e fortalecer a democracia para toda a sociedade.
Acompanhe a entrevista na íntegra
Da Redação Site TV Alepi