Criação de um Observatório de Violência Política de Gênero é sugerida na Alepi
O evento Café com Elas, realizado pela Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), teve nova edição nesta segunda-feira (30), com a palestra da advogada eleitoralista Giovana Nunes. O tema do encontro foi a presença feminina na política, com a palestrante sugerindo a criação de um Observatório de Violência Política de Gênero no Piauí.
O presidente da Alepi, Severo Eulálio (MDB), disse que o Café com Elas já se torna tradicional na Assembleia e que a vinda de Giovana Nunes é muito importante para mostrar os avanços e os desafios em um ano eleitoral e em um “Piauí que tem o jornalismo político muito forte”, disse.
A palestrante mostrou que embora a maioria da população brasileira seja de mulheres, isso não reflete nos plenários brasileiros. “O Brasil está na 133ª colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres, atrás de países como Arábia Saudita e Iraque”, disse. Giovana Nunes acrescentou que, no Brasil, 700 municípios descumpriram a cota de gênero na política, o que é “estarrecedor, pois a regra é muito clara”, afirmou.
Uma sugestão da palestrante é que a luta pela representatividade feminina não ganhe viés político-partidário, pois é um direito essencial e garantido no Brasil, e que é de interesse de toda a sociedade. “Ainda que se tente levantar qualquer bandeira ideológica - pela lógica da esquerda ou da direita, para projetos de lei e iniciativas de políticas públicas - é importante que comunicadoras e comunicadores como vocês não permitam que esse tipo de notícia seja transportado por um viés político partidário”, discursou.
A jornalista Andressa Martins compartilhou com as participantes sua percepção de que muitas vezes os políticos fazem discursos sobre a importância das mulheres, mas nas eleições impedem que elas tenham espaços de destaque. “Não escolhem mulheres para colocar em chapas majoritárias. E quando estão nas chapas, são no máximo candidatas a vice. Elas não podem ser candidatas a governadora, senadora, prefeita, no máximo candidatas a vice”, afirmou.
Encerrando o Café com Elas, Giovana Nunes sugeriu às jornalistas a criação de um Observatório de Violência Política de Gênero. “Por que a gente não faz em conjunto, todos os canais de comunicação juntos, um ícone para o Observatório de Violência Política de Gênero? E, nesse observatório, colocamos o tempo de fala desses candidatos, o tempo de fala das mulheres. Onde estão essas mulheres no palanque, se estão à frente ou atrás. É dado a elas a mesma oportunidade e o mesmo espaço?”, sugeriu às jornalistas presentes.
Iury Parente – Edição: Katya D’Angelles